terça-feira, 25 de agosto de 2026

Taxa de Atratividade, Risco e Juros: como o Selic, o Tesouro e a Dívida Pública influenciam os investimentos

Quando analisamos um investimento, uma das perguntas mais importantes é:

“Quanto eu preciso ganhar para que valha a pena assumir esse risco?”

Essa pergunta parece simples, mas envolve vários conceitos que estão profundamente conectados: taxa livre de risco, Selic, taxas dos títulos do Tesouro, risco-país, dívida pública, prêmio de risco e taxa mínima de atratividade.

Entender essa relação ajuda o investidor a avaliar desde um Tesouro IPCA+ até uma ação, um FII, uma debênture ou um investimento no exterior.

Sumário

  1. Taxa Mínima de Atratividade (TMA)
  2. O que é a taxa livre de risco?
  3. Taxa SELIC
  4. Títulos do Tesouro
  5. Qual taxa do Tesouro devemos utilizar como referência?
  6. O que é o prêmio de risco?
  7. O que é o risco-país?
  8. A dívida pública entra justamente nessa história
  9. Um exemplo simples
  10. Qual a TMA para as ações?
  11. Por que juros altos costumam prejudicar as ações?
  12. E os FIIs?
  13. E as debêntures?
  14. A curva de juros também é importante
  15. O que acontece quando o risco fiscal aumenta?
  16. Marcação a mercado: Juros e preços dos títulos caminham em sentidos opostos
  17. Como tudo se conecta?
  18. Uma forma prática de comparar investimentos
  19. A TMA muda de acordo com o perfil do investidor
  20. O grande erro: olhar apenas para a rentabilidade
  21. Como analisar um investimento?
  22. O investidor brasileiro precisa prestar atenção especial aos juros reais
  23. O cenário atual mostra exatamente essa dinâmica
  24. O mais importante: não existe “taxa mágica”
  25. Tributação: o retorno líquido é o que realmente importa
  26. Como funciona atualmente a tributação dos principais investimentos?
  27. Conclusão

1 Começando pelo conceito mais importante: a taxa mínima de atratividade

A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) é a rentabilidade mínima que um investimento precisa oferecer para que faça sentido assumir determinado risco.

Imagine que você tenha duas alternativas:

  • deixar o dinheiro em um investimento extremamente seguro;
  • investir em uma empresa que pode gerar uma rentabilidade muito maior, mas também pode apresentar prejuízo.

Se a alternativa segura oferece 10% ao ano, provavelmente não faria sentido assumir um risco elevado para ganhar apenas 11%.

Você poderia pensar:

“Estou assumindo muito mais risco para ganhar apenas 1 ponto percentual a mais. Talvez não valha a pena.”

É justamente essa comparação que está por trás da TMA.

Uma forma simples de pensar:

TMA = retorno de uma alternativa segura + compensação pelo risco + outros fatores

Essa compensação é chamada de prêmio de risco.

Portanto:

Quanto maior o risco de um investimento, maior deveria ser o retorno exigido pelo investidor.

2. O que é a taxa livre de risco?

A chamada taxa livre de risco (risk-free rate) é o retorno que um investidor poderia obter, teoricamente, sem assumir risco relevante de inadimplência.

Na prática, nenhum investimento é absolutamente livre de risco.

Entretanto, os mercados precisam de uma referência que funcione como uma espécie de “piso” para os retornos exigidos.

No Brasil, a Selic e os títulos públicos federais são utilizados como referências fundamentais para essa avaliação.

O próprio Tesouro Nacional considera os títulos públicos federais como investimentos de risco soberano e os apresenta como os ativos de menor risco de crédito dentro da economia brasileira.

Isso produz uma consequência importante:

Se o Governo consegue captar dinheiro pagando determinada taxa, uma empresa privada normalmente precisará oferecer uma remuneração maior para convencer o investidor a emprestar dinheiro a ela.

A diferença é o prêmio pelo risco.

3. A taxa Selic

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central.

Ela influencia praticamente toda a estrutura de juros do país.

Quando a Selic sobe, tende a acontecer algo como:

Selic ↑ → juros de mercado ↑ → títulos públicos mais rentáveis → investimentos de crédito precisam pagar mais → ações e FIIs precisam oferecer maior retorno esperado → preço dos ativos pode cair

Quando a Selic cai, ocorre o movimento contrário:

Selic ↓ → juros ↓ → renda fixa fica relativamente menos atrativa → investidores procuram mais ativos de risco → preços de ações e FIIs podem subir

Não é uma regra mecânica que funciona em todos os momentos, porque expectativas de inflação, crescimento econômico, política fiscal e cenário internacional também importam.

Mas a relação é fundamental.


4. Selic não é exatamente a mesma coisa que taxa de todos os títulos do Tesouro

Esse é um ponto muito importante.

O Governo Federal emite títulos com diferentes características e diferentes prazos.

O Tesouro Selic, por exemplo, acompanha a taxa Selic.

Já um Tesouro Prefixado possui uma taxa determinada pelo mercado para determinado vencimento.

E um Tesouro IPCA+ possui uma remuneração composta por:

IPCA + taxa de juros real

Por exemplo, hipoteticamente:

IPCA + 6% ao ano

significa que o investidor receberá a variação do IPCA acrescida de uma taxa real de 6% ao ano, se mantiver o título conforme as condições contratadas até o vencimento.

25/08/2026: https://www.tesourodireto.com.br/produtos/dados-sobre-titulos/rendimento-dos-titulos

O Tesouro Direto possui justamente essas três referências principais: títulos ligados à Selic, títulos prefixados e títulos ligados ao IPCA.

5. Então qual taxa do Tesouro devemos utilizar como referência?

Depende do investimento que estamos analisando.

Se você estiver avaliando um investimento de curto prazo, pode fazer sentido comparar com o Tesouro Selic ou CDI.

Se estiver avaliando um investimento de longo prazo, especialmente aquele que precisa preservar o poder de compra, o Tesouro IPCA+ pode ser uma referência mais adequada.

Isso acontece porque o IPCA+ permite observar diretamente uma taxa real de juros.

Imagine que um Tesouro IPCA+ de longo prazo esteja oferecendo:

IPCA + 6% ao ano

Um investimento de risco elevado que promete apenas:

IPCA + 5% ao ano

não parece particularmente interessante.

Afinal, você poderia obter aproximadamente IPCA + 6% assumindo um risco de crédito muito menor.

Já um investimento que ofereça:

IPCA + 10% ao ano

começa a ficar mais interessante, porque existe um prêmio de 4 pontos percentuais para compensar o risco adicional.

6. O que é o prêmio de risco?

O prêmio de risco é a remuneração adicional exigida pelo investidor para aceitar um risco maior.

Podemos pensar de forma simplificada:

Retorno exigido = taxa de referência + prêmio de risco

Por exemplo:

  • Tesouro: 10% ao ano
  • investimento privado: 14% ao ano

O investidor está exigindo aproximadamente:

4 pontos percentuais de prêmio para assumir o risco adicional.

Esse prêmio pode compensar diversos tipos de risco:

  • risco de crédito;
  • risco de mercado;
  • risco de liquidez;
  • risco empresarial;
  • risco regulatório;
  • risco político;
  • risco-país;
  • risco cambial;
  • risco de inflação;
  • risco de prazo.

Quanto maior a incerteza, maior tende a ser o retorno exigido.

7. O que é o risco-país?

O risco-país representa, de maneira simplificada, o risco adicional associado a investir em determinado país em comparação com uma referência considerada mais segura.

Imagine duas empresas exatamente iguais, uma no Brasil e outra nos Estados Unidos.

Se ambas apresentassem exatamente os mesmos resultados financeiros, mas o mercado considerasse que operar no Brasil envolve maiores riscos macroeconômicos, fiscais, políticos ou cambiais, o investidor provavelmente exigiria um retorno maior da empresa brasileira.

Esse retorno adicional é parte do prêmio de risco-país.

É importante entender que risco-país não significa simplesmente:

“probabilidade de o governo dar calote”.

Ele envolve uma gama muito maior de fatores.

Entre eles:

  • situação fiscal;
  • estabilidade institucional;
  • inflação;
  • estabilidade monetária;
  • crescimento econômico;
  • capacidade de pagamento da dívida;
  • estabilidade política;
  • risco regulatório;
  • comportamento da moeda;
  • confiança dos investidores.

8. A dívida pública entra justamente nessa história

Aqui começa uma das relações mais importantes.

O Governo precisa financiar suas despesas e refinanciar sua dívida.

Para conseguir dinheiro, emite títulos públicos.

Quando os investidores percebem que a situação fiscal está se deteriorando, podem exigir juros maiores para continuar financiando o governo.

Podemos representar assim:

Deterioração fiscal → maior percepção de risco → maior prêmio exigido → juros dos títulos públicos ↑

E isso não afeta apenas o Governo.

Se o Tesouro precisa pagar juros elevados, empresas e consumidores também enfrentam um ambiente de crédito mais caro.

É por isso que a dívida pública e a política fiscal são tão importantes para o mercado financeiro.


9. Um exemplo simples

Imagine que o Governo consiga emitir um título de longo prazo pagando:

12% ao ano

Agora imagine uma empresa relativamente segura.

Para convencer você a emprestar dinheiro para ela, talvez ela precise oferecer:

14% ao ano

Temos:

12% = referência soberana

+ 2% = prêmio de risco da empresa

Agora imagine uma empresa muito mais arriscada.

Talvez ela precise oferecer:

18% ao ano

Nesse caso:

12% = referência

+ 6% = prêmio de risco

O mercado está dizendo:

“Essa empresa é muito mais arriscada. Para eu investir nela, quero ser muito melhor remunerado.” 

10. Qual a TMA para as ações?

Nas ações, o raciocínio fica ainda mais interessante.

Quando você compra uma ação, não existe uma taxa contratada.

Você está comprando participação em uma empresa.

Portanto, o retorno futuro é incerto.

Uma maneira clássica de pensar sobre isso é:

Retorno exigido = taxa livre de risco + prêmio de risco do mercado + risco específico

No modelo CAPM, por exemplo:

Ke = Rf + β × (Rm − Rf)

Onde:

  • Ke = retorno exigido da ação;
  • Rf = taxa livre de risco;
  • β = sensibilidade da ação ao mercado;
  • Rm − Rf = prêmio de risco do mercado.

Na prática, analistas podem fazer ajustes adicionais para incorporar riscos específicos.

11. Por que juros altos costumam prejudicar as ações?

Se leu até aqui você já entendeu, mas imagine duas alternativas.

Alternativa A

Tesouro IPCA+: IPCA + 7% ao ano

Alternativa B

Ação: retorno esperado de IPCA + 8% ao ano

A diferença é de apenas: 

1 ponto percentual

Mas a ação pode cair 20%, 30% ou 40%.

Nesse cenário, talvez o prêmio de risco seja insuficiente.

Agora imagine que a ação esteja muito barata e o retorno esperado seja:

IPCA + 15%

O cenário muda completamente.

É por isso que a mesma ação pode ser cara em determinado nível de juros e barata em outro.

O valor justo não depende apenas dos lucros da empresa.

Depende também da taxa utilizada para descontar esses lucros futuros.

12. E os FIIs?

Nos Fundos de Investimento Imobiliário, o raciocínio é semelhante.

Um FII de tijolo pode gerar renda através de aluguéis.

Se determinado FII oferece um dividend yield de 8% ao ano e o Tesouro oferece uma remuneração muito próxima disso com risco consideravelmente menor, o FII pode perder atratividade.

Por outro lado, se o FII estiver oferecendo:

12% de renda + potencial de valorização

enquanto a renda fixa oferece uma remuneração menor, o prêmio pode justificar o risco.

Mas existe uma diferença importante:

dividend yield não é automaticamente retorno total.

O retorno de um FII depende de:

renda distribuída + valorização/desvalorização da cota

Por isso, comparar simplesmente o dividend yield com a Selic pode levar a conclusões erradas.

13. E as debêntures?

Aqui o conceito de prêmio de risco fica muito evidente.

Imagine:

Tesouro: 12%

Debênture de empresa muito segura: 14%

Debênture de empresa arriscada: 18%

Por que alguém pagaria 18%?

Porque existe risco.

A empresa pode:

  • ter problemas financeiros;
  • perder receita;
  • aumentar seu endividamento;
  • enfrentar dificuldades de refinanciamento;
  • sofrer problemas operacionais.

O investidor exige uma remuneração maior para compensar essa possibilidade.

Portanto:

Juro maior não significa necessariamente investimento melhor.

Significa, muitas vezes: risco maior.

14. A curva de juros também é importante

Existe ainda outro conceito fundamental: a curva de juros.

O mercado não olha apenas para a Selic de hoje.

Ele tenta estimar quais serão os juros no futuro.

Por isso, podemos ter uma situação em que:

Selic atual = 14%

mas um título público de longo prazo oferece uma taxa diferente.

Isso acontece porque a taxa longa incorpora expectativas sobre:

  • inflação futura;
  • Selic futura;
  • crescimento econômico;
  • política fiscal;
  • dívida pública;
  • cenário internacional;
  • prêmio de risco.

As taxas negociadas no Tesouro Direto refletem as condições do mercado secundário de títulos públicos federais.

15. O que acontece quando o risco fiscal aumenta?

Imagine que o mercado comece a acreditar que a dívida pública brasileira crescerá muito.

Os investidores podem pensar:

“Para emprestar dinheiro ao Governo por 10 ou 20 anos, quero uma remuneração maior.”

Então os títulos longos passam a oferecer taxas maiores.

Por exemplo:

Antes: IPCA + 6%

Depois: IPCA + 7,5%

Isso parece ótimo para quem está comprando naquele momento.

Mas existe uma consequência importante:

Os títulos antigos ficam menos valiosos.

Se você possui um título pagando IPCA + 6% e o mercado passa a exigir IPCA + 7,5%, seu título antigo se torna menos atrativo.

Seu preço de mercado precisa cair para que o retorno de quem comprar aquele título naquele momento fique compatível com a nova taxa.

É a famosa marcação a mercado.

16. Marcação a mercado: juros e preços dos títulos caminham em sentidos opostos

De forma simplificada:

Taxa de juros ↑ → preço do título ↓

Taxa de juros ↓ → preço do título ↑

Esse efeito é especialmente forte nos títulos de longo prazo.

Por isso, um Tesouro IPCA+ 2045 pode apresentar uma grande oscilação no preço mesmo que continue pagando exatamente a taxa contratada caso seja levado até o vencimento.

O risco de mercado não significa necessariamente que o investimento dará prejuízo no vencimento. O problema aparece principalmente quando o investidor precisa vender antes do prazo.



17. Como tudo se conecta?

Entender como tudo se conecta é muito importante, apesar de que algumas vezes essas regras de bolso não funcionarem como o esperado, podemos montar uma espécie de cadeia: 


Dívida pública

Percepção de risco fiscal

Risco-país

Prêmio de risco exigido pelos investidores

Taxas dos títulos públicos

Taxa de referência para toda a economia

Custo de financiamento de empresas e famílias

Taxa mínima de atratividade dos investimentos

Preço das ações, FIIs, debêntures e outros ativos


18. Uma forma prática de comparar investimentos

Imagine que você esteja analisando cinco alternativas:

Investimento Retorno esperado Risco
Tesouro Selic 10% Muito baixo
Tesouro IPCA+ IPCA + 6% Baixo
Debênture 14% Médio
FII 15% total Médio/alto
Ação 18% esperado Alto

Não devemos simplesmente escolher o investimento que apresenta o maior número.

Precisamos perguntar:

“Quanto retorno adicional estou recebendo em relação ao risco que estou assumindo?”

Esse é o conceito central.

Uma das formas de medir essa relação é através do Índice de Sharpe, que divide o retorno excedente sobre uma taxa de referência pela volatilidade do investimento. Quanto maior o Sharpe, maior foi o retorno obtido por unidade de risco, considerando a volatilidade como medida de risco.

Fórmula:

Sharpe = (Retorno do investimento − Taxa de referência) ÷ Volatilidade

Por exemplo, se um investimento rendeu 15% ao ano, a taxa de referência foi 10% e sua volatilidade anual foi de 10%:

Sharpe = (15% − 10%) ÷ 10% = 0,50

Isso significa que o investimento gerou 0,50 unidade de retorno excedente para cada unidade de volatilidade.

O Sharpe pode ser utilizado para comparar ações, FIIs, fundos, ETFs ou carteiras de investimentos. Entretanto, ele mede o retorno histórico em relação à volatilidade, enquanto a TMA representa o retorno mínimo que o investidor exige para aceitar determinado risco.

Portanto, são conceitos relacionados, mas não são a mesma coisa.

19. A TMA muda de acordo com o perfil do investidor

Não existe uma única TMA universal.

Um investidor conservador pode exigir um prêmio muito maior para investir em ações.

Outro investidor, com horizonte de 20 anos e alta tolerância à volatilidade, pode aceitar um prêmio menor.

Além disso, a TMA depende do objetivo.

Para uma reserva de emergência: liquidez e segurança podem ser mais importantes do que buscar retorno adicional.

Para aposentadoria: retorno real de longo prazo pode ser mais importante.

Para avaliar uma empresa: custo de capital e retorno sobre o capital investido tornam-se fundamentais.



20. O grande erro: olhar apenas para a rentabilidade

Imagine dois investimentos:

Investimento A: 10% ao ano, risco muito baixo.

Investimento B: 12% ao ano, risco muito alto.

À primeira vista, B parece melhor.

Mas se o prêmio adicional for insuficiente para compensar o risco, A pode ser a melhor escolha.

Agora imagine:

Investimento A: 10%, risco muito baixo.

Investimento B: 20%, risco muito alto.

Nesse caso, talvez o prêmio de 10 pontos percentuais seja suficiente para justificar o risco.

Portanto, a pergunta correta não é:

“Qual investimento rende mais?”

Mas:

“Qual investimento oferece o melhor retorno em relação ao risco que estou assumindo?” 

21. Como analisar um investimento?

Para analisar praticamente qualquer investimento, podemos fazer cinco perguntas:

1. Qual é minha referência?

Pode ser:

  • Selic;
  • CDI;
  • Tesouro Selic;
  • Tesouro IPCA+;
  • taxa de juros real.

2. Qual é o retorno esperado do investimento?

Não apenas o rendimento atual, mas o retorno total esperado.

3. Qual é o risco adicional?

Pode ser:

  • crédito;
  • mercado;
  • liquidez;
  • negócio;
  • inflação;
  • câmbio;
  • prazo.

4. Qual prêmio estou recebendo?

Retorno esperado − retorno da alternativa de referência

5. Esse prêmio é suficiente?

Essa é a pergunta mais importante.

22. O investidor brasileiro precisa prestar atenção especial aos juros reais

No Brasil, isso é particularmente importante porque a inflação pode corroer uma parcela significativa do retorno nominal.

Imagine:

Investimento A: 14% ao ano

Inflação: 6%

O retorno real aproximado não é simplesmente 8%, embora essa seja uma aproximação comum.

Pela fórmula exata:

Retorno real = (1 + retorno nominal) / (1 + inflação) − 1

Nesse caso:

(1,14 / 1,06) − 1 ≈ 7,55%

É por isso que o Tesouro IPCA+ é uma referência tão interessante para investimentos de longo prazo: ele permite observar diretamente uma remuneração real, acima da inflação.

23. O cenário atual mostra exatamente essa dinâmica

Em agosto de 2026, a Selic está em 14% ao ano, enquanto o ambiente de juros longos continua elevado.

Ao mesmo tempo, dados recentes mostram taxas reais elevadas nos títulos IPCA+, com títulos de longo prazo chegando a níveis acima de 8% reais em determinados momentos de 2026.

Isso cria um desafio para outros investimentos.

Se um investidor consegue obter uma taxa real elevada em um título público de longo prazo, uma ação, FII ou crédito privado precisa apresentar uma perspectiva de retorno suficientemente superior para justificar os riscos adicionais.

Esse é um dos motivos pelos quais juros elevados podem pressionar a precificação dos ativos de risco.

24. O mais importante: não existe “taxa mágica”

Não existe uma única taxa que possa ser utilizada para avaliar todos os investimentos.

Uma análise adequada deve considerar:

Taxa de referência + inflação + prazo + risco-país + risco do ativo + liquidez + impostos + retorno esperado

Para uma ação, podemos pensar em custo de capital.

Para um FII, podemos comparar retorno esperado, renda e crescimento com alternativas de renda fixa.

Para uma debênture, devemos analisar o spread sobre títulos públicos e a capacidade de pagamento da empresa.

Para um projeto de investimento, podemos utilizar uma TMA específica.

Para investimentos de longo prazo, a comparação com uma taxa real pode ser muito mais adequada do que simplesmente olhar para a Selic nominal.

25. Tributação: o retorno líquido é o que realmente importa

Até aqui, analisamos risco, juros, inflação, TMA e prêmio de risco. Mas existe um elemento que muitas vezes é esquecido nessa comparação:

a tributação.

Do ponto de vista do investidor, não importa apenas quanto um investimento rende antes dos impostos. O que realmente interessa é quanto sobra depois de impostos, custos e inflação.

Podemos representar de forma simplificada:

Retorno líquido = retorno bruto − impostos − custos

E, quando queremos saber quanto o patrimônio realmente cresceu em termos de poder de compra, precisamos considerar também a inflação:

A tributação também precisa entrar na TMA

Imagine dois investimentos:

Investimento A

  • Retorno bruto: 15%
  • Imposto: 15%
  • Retorno líquido aproximado: 12,75%

Investimento B

  • Retorno bruto: 13%
  • Imposto: 0%
  • Retorno líquido: 13%

Apesar de o investimento A apresentar uma rentabilidade bruta maior, o investimento B termina com uma rentabilidade líquida superior.

Por isso, comparar investimentos apenas pela taxa anunciada pode levar a conclusões erradas.

Retorno real líquido ≈ retorno líquido − inflação

Por isso, a tributação pode alterar significativamente a atratividade de um investimento.

26. Como funciona atualmente a tributação dos principais investimentos?

As regras variam conforme o produto, o prazo, a forma de negociação e até o nível de renda do investidor.

De forma resumida, para uma pessoa física residente no Brasil, o cenário vigente em agosto de 2026 pode ser organizado assim:

InvestimentoTributação principal para pessoa física
Tesouro DiretoIR regressivo de 22,5% a 15% sobre os rendimentos
CDBIR regressivo de 22,5% a 15%
LCI/LCARendimentos isentos de IR para pessoa física
CRI/CRARendimentos isentos de IR para pessoa física, observadas as regras aplicáveis
Debêntures comunsIR regressivo de 22,5% a 15%
Debêntures incentivadasRendimentos isentos de IR para pessoa física
Ações15% sobre ganhos líquidos em operações comuns; 20% em day trade. As vendas de ações no mercado à vista podem ter isenção para ganhos quando o total vendido no mês for de até R$ 20.000, observadas as regras específicas. Essa isenção não se aplica ao day trade.
FIIRendimentos distribuídos podem ser isentos para pessoa física quando atendidos os requisitos legais; ganho na venda das cotas é tributado em 20%
FIAGRORendimentos podem ser isentos para pessoa física quando atendidos os requisitos legais; tributação da venda depende da operação e do regime aplicável
ETF de ações no BrasilGanhos na venda são tributados; não se aplica a isenção mensal de R$ 20 mil das ações
Investimentos financeiros no exteriorRegra geral de 15% sobre os rendimentos financeiros apurados anualmente
PoupançaRendimentos isentos de IR para pessoa física

A Receita Federal mantém para 2026 a tabela regressiva de renda fixa, o imposto incide sobre o rendimento, e não sobre o valor total investido. A tabela regressiva atualmente é:

  • 22,5% — até 180 dias;
  • 20% — de 181 a 360 dias;
  • 17,5% — de 361 a 720 dias;
  • 15% — acima de 720 dias.

Essa mesma estrutura é utilizada em diversas aplicações de renda fixa tributadas.

LCI, LCA, CRI e CRA permanecem entre os investimentos cujos rendimentos são tratados como isentos para pessoa física nas regras atuais.

As debêntures incentivadas também possuem benefício fiscal para pessoas físicas, com isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos, desde que o título esteja enquadrado nas regras legais.

Tributação de Dividendos

A Lei nº 15.270/2025 alterou as regras de tributação de lucros e dividendos a partir de 2026.

Para uma mesma pessoa jurídica pagando a uma mesma pessoa física residente no Brasil, pagamentos de lucros ou dividendos superiores a R$ 50.000 no mesmo mês ficam sujeitos à retenção de 10% sobre o valor total daquele pagamento, observadas as exceções e regras da legislação.

Além disso, foi criada uma sistemática de tributação mínima para altas rendas, aplicável a partir do ano-calendário de 2026 para contribuintes com rendimentos anuais superiores a R$ 600.000, com alíquota que pode chegar a 10% para rendimentos de R$ 1,2 milhão ou mais, conforme as regras legais.

Isso não significa que:

“todo dividendo agora paga 10%”.

A regra é mais específica e depende do valor mensal, da fonte pagadora e também da situação anual do contribuinte.

Esse é um excelente exemplo de por que o investidor precisa acompanhar mudanças na legislação.

Nunca tome uma decisão de longo prazo considerando que a legislação tributária atual permanecerá igual durante décadas.

Conclusão

Todos esses conceitos fazem parte de uma mesma engrenagem.

A Selic influencia o custo básico do dinheiro.

Os títulos públicos mostram quanto o Governo precisa pagar para captar recursos em diferentes prazos.

A dívida pública e a situação fiscal influenciam a percepção de risco do país.

O risco-país ajuda a determinar quanto retorno adicional os investidores exigem para aplicar no Brasil.

A partir dessa referência, cada investimento precisa oferecer um prêmio de risco compatível com seus próprios riscos.

E é justamente dessa comparação que surge a Taxa Mínima de Atratividade.

Podemos resumir tudo em uma única ideia:

Quanto mais seguro for o investimento de referência, maior precisa ser o retorno adicional oferecido por um investimento de maior risco para que ele continue sendo atrativo.

Por isso, antes de perguntar se uma ação, FII, debênture ou outro investimento está “barato”, uma das perguntas mais importantes é:

“Barato em relação a quê?”

E, no Brasil, essa resposta começa quase sempre pelos juros, pelos títulos públicos e pelo prêmio de risco exigido pelo mercado.


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Patrimônio declarado pelos candidatos ao Governo do RS em 2026

Os sete candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul nas eleições de 2026 apresentaram à Justiça Eleitoral suas declarações de bens. Os valores permitem conhecer a composição patrimonial informada por cada candidato, incluindo imóveis, veículos, aplicações financeiras, previdência privada, participações empresariais e saldos bancários.

É importante destacar que os valores apresentados são aqueles declarados à Justiça Eleitoral e não necessariamente representam o valor de mercado atual dos bens. Imóveis, por exemplo, podem permanecer declarados pelo valor utilizado anteriormente na declaração de Imposto de Renda.

Gabriel Souza (MDB)

Gabriel Souza declarou patrimônio de R$ 935.461,08.

Entre os bens estão 50% de uma casa em Tramandaí, declarados por R$ 295.874,33, e 50% de um apartamento com box em Porto Alegre, declarado por R$ 287.653,38. Também foram declarados R$ 191.898,58 em aplicações e investimentos e R$ 134.835,45 em previdência privada, além de R$ 18.249,34 em conta corrente e R$ 6.950,00 em dinheiro.

Luciano Zucco (PL)

Luciano Zucco declarou R$ 709.304,00 em bens.

Sua declaração inclui um apartamento em Porto Alegre, de R$ 270.000,00, um automóvel de R$ 267.607,00, uma motocicleta de R$ 39.348,00 e outro automóvel de R$ 30.000,00.

Na parte financeira, aparecem R$ 78.426,00 em aplicação de renda fixa e R$ 20.000,00 em VGBL, além de pequenos saldos em contas bancárias e poupanças.

Rejane de Oliveira (PSTU)

Rejane de Oliveira declarou R$ 498.000,00.

Sua declaração é composta por um apartamento, informado pelo valor de R$ 480.000,00, e um carro, declarado por R$ 18.000,00. Não aparecem aplicações financeiras na relação de bens divulgada.

Juliana Brizola (PDT)

Juliana Brizola declarou R$ 376.137,78.

O patrimônio informado inclui 51% de um apartamento financiado pelo Banrisul, declarado por R$ 220.578,75, um Honda HR-V de R$ 155.500,00 e R$ 59,03 em poupança.

Marcelo Maranata (PSDB)

Marcelo Maranata declarou R$ 249.805,00.

Entre os bens estão uma casa em Guaíba, de R$ 60.000,00, um galpão pré-moldado, de R$ 40.000,00, um terreno de R$ 24.180,00 e um automóvel de R$ 11.210,00.

O candidato também declarou participações em empresas: R$ 60.000,00 em quotas da Marjorie Administração de Condomínios, R$ 13.500,00 na Amitie Livraria e Papelaria e R$ 9.000,00 na Marcelly Móveis Ltda.

Na parte financeira, consta uma aplicação de renda fixa de R$ 31.915,00.

Priscila Voigt (UP)

Priscila Voigt declarou R$ 1.000,00 em patrimônio.

O único item informado é um depósito bancário em conta corrente no país, no valor de R$ 1.000,00.

Cesar Pontes (PCO)

Cesar Pontes informou à Justiça Eleitoral que não possuía bens a declarar, apresentando patrimônio declarado de R$ 0,00.

E os investimentos financeiros?

Considerando especificamente os itens identificados como aplicações financeiras, renda fixa e previdência privada, as declarações apresentam diferenças na composição dos patrimônios.

Gabriel Souza informou R$ 191.898,58 em aplicações e investimentos, além de R$ 134.835,45 em previdência privada.

Luciano Zucco declarou R$ 78.426,00 em renda fixa e R$ 20.000,00 em VGBL.

Marcelo Maranata informou R$ 31.915,00 em aplicação de renda fixa.

Juliana Brizola declarou R$ 59,03 em poupança.

Nas declarações de Rejane de Oliveira, Priscila Voigt e Cesar Pontes não foram identificadas aplicações financeiras propriamente ditas; Priscila declarou apenas R$ 1.000,00 em conta corrente e Cesar Pontes informou patrimônio zero.

Conclusão

A declaração de bens permite observar diferentes perfis patrimoniais entre os candidatos, mas não é suficiente para medir educação financeira ou capacidade de gestão.

Administrar um patrimônio pessoal de algumas centenas de milhares de reais e administrar um Estado com orçamento de dezenas de bilhões de reais são tarefas completamente diferentes. A gestão pública envolve planejamento orçamentário, controle de despesas, dívida, arrecadação, investimentos, governança e políticas públicas, competências que não podem ser avaliadas apenas pela carteira pessoal de investimentos.

Ainda assim, os bens declarados podem nos dar algumas pistas sobre o perfil financeiro de cada candidato e levantar perguntas interessantes sobre suas escolhas patrimoniais.

Na próxima etapa, vou analisar as propostas de governo apresentadas pelos candidatos e anexadas ao portal do TSE. Aí sim poderemos comparar suas ideias e descobrir qual proposta faz mais sentido para o Rio Grande do Sul na minha opinião.

Referências

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Brasileiros estão deixando o país: consequência ou apenas sensação?

Buenas pessoal, já faz muito tempo que o Brasil vem brincando com coisa séria, e parece que as consequências começaram, ou será só Sensação

https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/saidas-fiscais-crescem-80-e-acendem-alerta-para-fiscalizacao-da-receita-federal/

Me chamou atenção essa notícia hoje, parece que a política de tributar os mais ricos começou a surtir efeito, o crescimento das saídas fiscais pode ser um sinal de que mais brasileiros estão optando por viver no exterior ou formalizando sua condição de não residentes.

Fui olhar a fonte dos dados, aqui, e capturei imagens para compartilhar, conforme abaixo:

2021

2022

2023

2024

2025

Até 19/08/2026

Interessante notar que a média da idade é entre 35 e 40 anos, e vem aumentando.

Os principais destinos são EUA e Portugal, mas tenho lido notícias que Portugal começou a dificultar a entrada.


Evolução ano a ano

Possíveis Causas

1 . Regularização de brasileiros que já estavam fora

Uma provável motivação é o aumento de cruzamento de dados entre países, a Receita vem utilizando mecanismos de cooperação e troca de informações financeiras internacionais. Isso torna mais arriscado para alguém morar permanentemente no exterior, manter investimentos/renda fora e continuar formalmente como residente fiscal brasileiro.

2. Busca por melhores oportunidades, segurança, qualidade de vida e estabilidade econômica

A partir de janeiro de 2026, com a Lei nº 15.270/2025, o Brasil alterou as regras históricas de isenção e passou a cobrar Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de 10% sobre a distribuição de lucros e dividendos a pessoas físicas quando o valor pago por uma mesma pessoa jurídica para uma mesma pessoa física residente no Brasil superar R$ 50.000 em um único mês. Pesquisando mais a fundo, mesmo se residir fora do Brasil vai pagar o imposto sem a isenção dos 50k, nada mais justo, pelo menos neste sentido, pois quando a gente investe no exterior, nos EUA por exemplo, pagamos 30% de imposto sobre o dividendo, então neste ponto até sou a favor, mas, por outro lado, pode contribuir pra afastar investimento estrangeiro.

https://veja.abril.com.br/economia/investidor-estrangeiro-tem-maior-fuga-semanal-da-bolsa-em-18-anos

Fica claro lendo a notícia acima que a tributação do dividendo não é o motivador dessa saída em massa dos investidores estrangeiros, tem mais relação com cenário político, questão fiscal e geopolítica, e no final das contas provavelmente estes motivos também são relacionados com as saídas fiscais de brasileiros.

Voltando a Lei 15.270/2025, foi estimado bilhões em receitas extras com a retenção de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais. Na realidade, a arrecadação veio abaixo do esperado porque empresas ajustaram a distribuição de lucros, anteciparam reservas, tanto é que recebi muitos dividendos em dezembro que foram antecipados, talvez ano que vem consigam arrecadar mais, ou as empresas mudem suas políticas pra distribuir o mínimo obrigatório e busquem outras formas de remunerar o investidor.

https://www.instagram.com/p/DbY8awJkejO/?img_index=2


Essa foi apenas uma das diversas Leis que o atual governo implementou na tentativa de arrecadar cada dia mais, e mesmo assim, considerando essa lei em especial, percebe-se um efeito contrário. Talvez atingimos o limite da curva de Laffer? o ponto a partir do qual o aumento das alíquotas pode produzir efeitos negativos sobre a base tributável e, consequentemente, limitar ou até reduzir a arrecadação.

Eu tenho a sensação de que o Brasil pode estar seguindo no mesmo caminho que alguns vizinhos, como Venezuela e Argentina, com muitos candidatos populistas assumindo o poder, gastando mais do que arrecada, no final o resultado é inflação descontrolada, aumento da dívida pública e empobrecimento.

Essa notícia que fala do mesmo assunto traz mais evidências, citando as recentes mudanças na tributação patrimonial e sucessória decorrentes da Lei 14.754/2023 e da EC 132/2023, e também citando os destinos preferenciais, onde há melhor previsibilidade quanto ao tratamento sucessório do patrimônio.  

Deixo essa breve reflexão, o Brasil sempre teve muito potencial, mas precisa aproveitar melhor as oportunidades e parar de gastar mais do que ganha, esse é o básico das finanças pessoais.

Abraços!

quarta-feira, 25 de março de 2026

ONDE LER WEBNOVELS (GRÁTIS E VICIANTES)

Fala galera!

Dica rápida para quem gosta de ler Webnovels, mangá, manhua, Xuanhuan etc. Webnovels são histórias publicadas direto na internet, capítulo por capítulo — muitas vezes de graça.

A primeira dica é o site Saikai, que mudou de endereço já faz alguns meses, agora o novo endereço é housesaikai.net. Eles fizeram melhorias, com questão de biblioteca e comentários. O site exige login, mas é livre de anúncios e permite configurar tamanho e tipo de fonte, além de cor do fundo para leitura noturna etc. É o que eu gosto mais atualmente, apesar de que estão com dificuldades para encontrar "mão de obra", tem algumas obras paradas por lá por falta de tradutores, revisores etc.

Gostei bastante dessa funcionalidade de biblioteca, principalmente para acompanhar as obras em andamento.

Recentemente conclui a leitura de Mundo Marcial, pensa numa webnovel longa, 2258 capítulos, mas é boa, pra quem gosta de novela de cultivo, artes marciais, diversos universos e poderes, é bem interessante.

Outro site que acessei muito foi o novelmania.com.br, mas confesso que faz bastante tempo que não acessei mais este. Lembro de ter lido o Lendário Escultor do Luar, até hoje uma das minhas obras preferidas do gênero.


Além destes dois que eu já acessei bastante, pesquisando na internet encontrei mais dois que aparentemente são bons também:

👉 https://novels-br.com/
✔ Atualizações frequentes
✔ Muito conteúdo de fantasia e cultivo
✔ Interface simples

👉 https://illusia.com.br/
✔ Comunidade BR
✔ Dá pra ler e também publicar
✔ Ideal pra quem quer escrever


E vocês, qual site que costumam ler webnovels? 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Relógio de Ponto Master REP Bloqueado: Como Desbloquear Rápido (Guia Prático 2026)

Se o seu relógio de ponto Master REP bloqueou de repente, um dos motivos mais comuns é tentativa de abertura ou impacto físico no equipamento.

Esses dispositivos possuem sensores de segurança que identificam:

🚨 Abertura da tampa
🚨 Violação do lacre
🚨 Impactos ou quedas

➡️ Quando isso acontece, o REP entra em modo de bloqueio automático para garantir a integridade dos registros (exigência legal).

Esse tipo de bloqueio não é erro, é uma proteção obrigatória (Portaria 671). Serve para evitar fraudes e garantir validade jurídica dos registros.

⚙️ O que fazer nesse caso?

🔧 1. Não tente forçar o desbloqueio
Não existe código universal — isso pode agravar o problema.

🖥️ 2. Verifique a mensagem no visor
Normalmente aparece algo como: “Violação detectada” ou “Equipamento bloqueado”.

📡 3. Tente comunicação com o sistema
Em alguns casos, o software consegue identificar o status e orientar a liberação.

👨‍🔧 4. Acione suporte técnico autorizado
Esse é o caminho mais comum — pode exigir:

  • Revalidação do equipamento
  • Reset técnico
  • Nova lacração

Dicas 

Também pode acontecer o bloqueio por outros motivos. Aqui vão algumas dicas práticas 👇

⚙️ 1. Verifique a memória (AFD)
Se estiver cheia, o REP bloqueia automaticamente.
➡️ Faça a coleta pelo sistema de ponto.

🔌 2. Confira a conexão
Sem comunicação com o software, alguns modelos travam.
➡️ Teste rede/USB e sincronize o equipamento.

🕒 3. Ajuste data e hora
Data incorreta pode causar bloqueio por exigência legal.
➡️ Corrija direto no sistema ou no REP.

🧾 4. Veja se tem papel (se imprime comprovante)
Pode parecer simples, mas falta de bobina bloqueia alguns modelos.

👤 5. Revise cadastros
Funcionário sem biometria/cartão ou fora das regras pode não conseguir registrar.

🔄 6. Reinicie o equipamento
Às vezes resolve travamentos momentâneos.

⚠️ Importante:
Não existe código universal de desbloqueio. Muitos bloqueios são exigidos por lei (Portaria 671), então o caminho correto é sempre via sistema ou suporte técnico.

terça-feira, 17 de março de 2026

🏦 Itaúsa (ITSA4) em 2025: dividendos fortes e execução consistente!

Olá pessoal!

Segue uma análise resumida dos resultados de Itaúsa, feita com auxílio de IA por questões de tempo. 💙

Email da Itaúsa 

Se tem uma coisa que a Itaúsa sabe fazer bem, é não surpreender.

Enquanto tem empresa prometendo revolução, turnaround, crescimento exponencial e outras coisas bonitas de apresentação… a Itaúsa vai lá e faz o básico muito bem feito:

👉 ganha dinheiro
👉 paga dividendos
👉 repete o processo

E em 2025? Mais do mesmo. No melhor sentido possível.


📊 Resultado: forte e previsível 

  • Lucro recorrente: R$ 16,5 bilhões (+11%)

  • ROE: 18,4%

  • Dividendos: R$ 11,9 bilhões

  • Payout: 76%

  • Retorno total: +59%

Sim, você leu certo: 59% de retorno em um ano.

👉 foi o maior lucro da história da empresa

E mesmo assim… ninguém fica eufórico com Itaúsa.


💸 Dividendos: aqui mora o charme

E 2025 veio caprichado:

  • Dividend yield perto de 14,7%

  • Payout alto (76%)

 

🧠 Gestão: aqui tem gente que sabe o que está fazendo

Um ponto pouco falado (mas muito importante):

A Itaúsa fez um baita trabalho na dívida:

  • Pagou antecipadamente parte relevante

  • Refinanciou melhor

  • Reduziu custo

  • Alongou prazo

Tradução simples:

👉 menos risco
👉 mais eficiência
👉 mais espaço pra continuar pagando dividendos

 

📉 O famoso “desconto de holding”

Aqui está o tempero da tese.

A Itaúsa vale menos na bolsa do que a soma das empresas que ela possui.

Hoje:

👉 cerca de 24% de desconto

Por quê?

  • Estrutura de holding

  • Custos

  • Tributação sobre JCP

 

🔮 O possível “plot twist” (2027)

A reforma tributária deve:

👉 acabar com imposto sobre JCP recebido

E isso ataca diretamente um dos maiores problemas da Itaúsa.

Se isso acontecer como esperado:

📈 o desconto pode diminuir
📈 o valor percebido da holding aumenta

E aí… o “tio do dividendo” pode virar um pouco mais animado.


 Valuation atualizado 

Agora vamos ao que realmente importa: quanto vale ITSA4 hoje?

📌 Premissas conservadoras:

  • Lucro recorrente: R$ 16,5 bi

  • Payout sustentável: 70%

  • Crescimento: 5% a.a.

  • Custo de capital: 10%–11%

💰 Método 1: Dividend Yield justo

Se a Itaúsa paga ~R$ 1,70 por ação (aprox.):

  • DY justo de 10% → preço justo ≈ R$ 17

  • DY justo de 9% → preço justo ≈ R$ 19

🧮 Método 2: Desconto de holding (NAV)

  • NAV estimado: ~R$ 210 bilhões

  • Valor de mercado: ~R$ 160 bilhões

Se o desconto cair de 24% → 15%:

👉 upside potencial de ~10% a 15%

Se cair mais (cenário otimista):

👉 upside pode chegar a 20%+

📈 Método 3: Fluxo de dividendos (modelo simplificado)

Com crescimento de 5%:

👉 valor justo converge para algo entre
R$ 17 a R$ 20 por ação


Conclusão final

👉 Preço justo hoje: ~R$ 17 a R$ 20
👉 Dependendo do desconto e cenário: pode ir além disso


🧾 Disclaimer

As informações publicadas aqui são opiniões pessoais e não devem ser consideradas como dicas de investimentos. Este conteúdo não constitui e nem deve ser interpretado como material promocional, solicitação de compra ou venda, oferta ou recomendação de qualquer ativo financeiro, investimento, sugestão de alocação ou adoção de estratégias por parte dos leitores.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Resultados do 4T25 e de 2025 da Ambev (ABEV3): crescimento de receita e margens, apesar de queda de volumes

 A Ambev divulgou seus números do 4T25 e do ano de 2025 e, sinceramente, não teve grandes surpresas. Foi aquele típico resultado de empresa madura de consumo: volumes pressionados, mas compensados por preço, mix e eficiência operacional.



📉 O problema continua sendo volume

O principal ponto negativo segue o mesmo dos últimos anos: queda de volume.

Em 2025, o volume total caiu 3,3%, e no 4T25 a retração foi de 3,6%. O motivo não foi perda estrutural de mercado, mas fatores cíclicos — clima ruim e menos ocasiões de consumo.

A própria companhia resumiu bem: não é que o consumidor deixou de gostar de cerveja — ele simplesmente consumiu menos vezes.

Isso mostra uma característica importante do case:

👉 Ambev hoje não é mais empresa de crescimento em volume.
👉 É uma empresa de captura de valor.


📈 A força do pricing power

Mesmo vendendo menos, a receita cresceu.

  • Receita líquida orgânica: +4,0% em 2025

  • Receita por hectolitro: +7,5%

Ou seja: a empresa conseguiu aumentar preço e mix.

Isso veio principalmente de:

  • Premiumização (Stella, Corona, etc.)

  • Cervejas sem álcool

  • Gestão eficiente de receita



Na prática, a Ambev está virando cada vez mais uma “máquina de margem”.


💰 Rentabilidade segue muito forte

O EBITDA ajustado cresceu 5,6% no ano e a margem chegou a 33,4%, marcando o terceiro ano seguido de expansão.

Esse é o principal ponto do case:

👉 Mesmo sem crescimento de volume, a empresa continua aumentando rentabilidade.

Já o lucro líquido ajustado cresceu apenas 1,6%, impactado por despesas financeiras e câmbio.

Nada preocupante — apenas efeito macro.


🇧🇷 Brasil continua sendo o motor

No mercado brasileiro:

  • Volume caiu ~4%

  • Receita por hectolitro subiu ~5%

  • EBITDA cresceu cerca de 4% no ano

Destaque importante:

📊 Segmentos premium cresceram dois dígitos.
📊 Cerveja sem álcool segue crescendo forte.

Isso confirma a tese de que o crescimento da Ambev hoje vem mais de valor agregado do que de expansão de mercado.


🏦 Geração de caixa absurda

Aqui está o verdadeiro motivo pelo qual muitos investidores mantêm ABEV3 na carteira:

  • Fluxo de caixa operacional: R$ 24,5 bilhões

  • Retorno aos acionistas em 2025: cerca de R$ 20 bilhões

Ou seja:

👉 A Ambev distribui praticamente tudo o que gera.

Isso reforça seu perfil clássico:

✔ Ação de dividendos
✔ Negócio defensivo
✔ Baixa volatilidade


📊 Análise de valuation — ABEV3 está barata?

Vamos ao ponto que interessa.

🔎 Situação atual do valuation

A Ambev negocia hoje aproximadamente em:

  • P/L: ~15–17x

  • EV/EBITDA: ~10–11x

  • Dividend Yield: ~5–6%

Para contexto histórico:

👉 A média histórica da empresa era P/L de 20–25x.

Ou seja:

📉 O múltiplo está comprimido há anos.


🧠 Por que o mercado descontou a ação?

Basicamente três motivos:

1️⃣ Queda estrutural de volume
2️⃣ Falta de crescimento relevante
3️⃣ Juros altos (que reduzem atratividade de dividendos)

Nada disso mudou radicalmente agora.


💡 O upside potencial

A Ambev não é mais uma ação de crescimento.

O potencial vem de três fatores:

1️⃣ Queda de juros no Brasil

Dividendos voltam a ser mais valorizados.

2️⃣ Expansão contínua de margens

Mesmo com volume estável.

3️⃣ Premiumização do portfólio

Aumentando ticket médio.


⚖️ Preço justo (visão conservadora)

Assumindo:

  • Crescimento de lucro: 3–5% ao ano

  • Dividend yield: ~6%

  • P/L justo: ~18x

O valor justo estimado ficaria aproximadamente:

👉 Entre R$ 16 e R$ 20 por ação

Ou seja:

  • Abaixo disso → ação barata

  • Próximo disso → preço justo

  • Muito acima → cara para perfil atual


🧾 Conclusão do investidor

O resultado confirmou o que já sabemos:

✔ A Ambev não é mais ação de crescimento
✔ É uma empresa extremamente eficiente
✔ Gera muito caixa e paga bons dividendos

O case hoje é simples:

👉 Não é ação para ficar rico rápido.
👉 É ação para receber renda com previsibilidade.

Se o investidor busca estabilidade, dividendos e baixo risco, a ABEV3 continua sendo um dos ativos mais sólidos da bolsa.