A Ambev divulgou seus números do 4T25 e do ano de 2025 e, sinceramente, não teve grandes surpresas. Foi aquele típico resultado de empresa madura de consumo: volumes pressionados, mas compensados por preço, mix e eficiência operacional.
📉 O problema continua sendo volume
O principal ponto negativo segue o mesmo dos últimos anos: queda de volume.
Em 2025, o volume total caiu 3,3%, e no 4T25 a retração foi de 3,6%. O motivo não foi perda estrutural de mercado, mas fatores cíclicos — clima ruim e menos ocasiões de consumo.
A própria companhia resumiu bem: não é que o consumidor deixou de gostar de cerveja — ele simplesmente consumiu menos vezes.
Isso mostra uma característica importante do case:
👉 Ambev hoje não é mais empresa de crescimento em volume.
👉 É uma empresa de captura de valor.
📈 A força do pricing power
Mesmo vendendo menos, a receita cresceu.
Receita líquida orgânica: +4,0% em 2025
Receita por hectolitro: +7,5%
Ou seja: a empresa conseguiu aumentar preço e mix.
Isso veio principalmente de:
Premiumização (Stella, Corona, etc.)
Cervejas sem álcool
Gestão eficiente de receita
Na prática, a Ambev está virando cada vez mais uma “máquina de margem”.
💰 Rentabilidade segue muito forte
O EBITDA ajustado cresceu 5,6% no ano e a margem chegou a 33,4%, marcando o terceiro ano seguido de expansão.
Esse é o principal ponto do case:
👉 Mesmo sem crescimento de volume, a empresa continua aumentando rentabilidade.
Já o lucro líquido ajustado cresceu apenas 1,6%, impactado por despesas financeiras e câmbio.
Nada preocupante — apenas efeito macro.
🇧🇷 Brasil continua sendo o motor
No mercado brasileiro:
Volume caiu ~4%
Receita por hectolitro subiu ~5%
EBITDA cresceu cerca de 4% no ano
Destaque importante:
📊 Segmentos premium cresceram dois dígitos.
📊 Cerveja sem álcool segue crescendo forte.
Isso confirma a tese de que o crescimento da Ambev hoje vem mais de valor agregado do que de expansão de mercado.
🏦 Geração de caixa absurda
Aqui está o verdadeiro motivo pelo qual muitos investidores mantêm ABEV3 na carteira:
Fluxo de caixa operacional: R$ 24,5 bilhões
Retorno aos acionistas em 2025: cerca de R$ 20 bilhões
Ou seja:
👉 A Ambev distribui praticamente tudo o que gera.
Isso reforça seu perfil clássico:
✔ Ação de dividendos
✔ Negócio defensivo
✔ Baixa volatilidade
📊 Análise de valuation — ABEV3 está barata?
Vamos ao ponto que interessa.
🔎 Situação atual do valuation
A Ambev negocia hoje aproximadamente em:
P/L: ~15–17x
EV/EBITDA: ~10–11x
Dividend Yield: ~5–6%
Para contexto histórico:
👉 A média histórica da empresa era P/L de 20–25x.
Ou seja:
📉 O múltiplo está comprimido há anos.
🧠 Por que o mercado descontou a ação?
Basicamente três motivos:
1️⃣ Queda estrutural de volume
2️⃣ Falta de crescimento relevante
3️⃣ Juros altos (que reduzem atratividade de dividendos)
Nada disso mudou radicalmente agora.
💡 O upside potencial
A Ambev não é mais uma ação de crescimento.
O potencial vem de três fatores:
1️⃣ Queda de juros no Brasil
Dividendos voltam a ser mais valorizados.
2️⃣ Expansão contínua de margens
Mesmo com volume estável.
3️⃣ Premiumização do portfólio
Aumentando ticket médio.
⚖️ Preço justo (visão conservadora)
Assumindo:
Crescimento de lucro: 3–5% ao ano
Dividend yield: ~6%
P/L justo: ~18x
O valor justo estimado ficaria aproximadamente:
👉 Entre R$ 16 e R$ 20 por ação
Ou seja:
Abaixo disso → ação barata
Próximo disso → preço justo
Muito acima → cara para perfil atual
🧾 Conclusão do investidor
O resultado confirmou o que já sabemos:
✔ A Ambev não é mais ação de crescimento
✔ É uma empresa extremamente eficiente
✔ Gera muito caixa e paga bons dividendos
O case hoje é simples:
👉 Não é ação para ficar rico rápido.
👉 É ação para receber renda com previsibilidade.
Se o investidor busca estabilidade, dividendos e baixo risco, a ABEV3 continua sendo um dos ativos mais sólidos da bolsa.











