quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Resultados do 4T25 e de 2025 da Ambev (ABEV3): crescimento de receita e margens, apesar de queda de volumes

 A Ambev divulgou seus números do 4T25 e do ano de 2025 e, sinceramente, não teve grandes surpresas. Foi aquele típico resultado de empresa madura de consumo: volumes pressionados, mas compensados por preço, mix e eficiência operacional.



📉 O problema continua sendo volume

O principal ponto negativo segue o mesmo dos últimos anos: queda de volume.

Em 2025, o volume total caiu 3,3%, e no 4T25 a retração foi de 3,6%. O motivo não foi perda estrutural de mercado, mas fatores cíclicos — clima ruim e menos ocasiões de consumo.

A própria companhia resumiu bem: não é que o consumidor deixou de gostar de cerveja — ele simplesmente consumiu menos vezes.

Isso mostra uma característica importante do case:

👉 Ambev hoje não é mais empresa de crescimento em volume.
👉 É uma empresa de captura de valor.


📈 A força do pricing power

Mesmo vendendo menos, a receita cresceu.

  • Receita líquida orgânica: +4,0% em 2025

  • Receita por hectolitro: +7,5%

Ou seja: a empresa conseguiu aumentar preço e mix.

Isso veio principalmente de:

  • Premiumização (Stella, Corona, etc.)

  • Cervejas sem álcool

  • Gestão eficiente de receita



Na prática, a Ambev está virando cada vez mais uma “máquina de margem”.


💰 Rentabilidade segue muito forte

O EBITDA ajustado cresceu 5,6% no ano e a margem chegou a 33,4%, marcando o terceiro ano seguido de expansão.

Esse é o principal ponto do case:

👉 Mesmo sem crescimento de volume, a empresa continua aumentando rentabilidade.

Já o lucro líquido ajustado cresceu apenas 1,6%, impactado por despesas financeiras e câmbio.

Nada preocupante — apenas efeito macro.


🇧🇷 Brasil continua sendo o motor

No mercado brasileiro:

  • Volume caiu ~4%

  • Receita por hectolitro subiu ~5%

  • EBITDA cresceu cerca de 4% no ano

Destaque importante:

📊 Segmentos premium cresceram dois dígitos.
📊 Cerveja sem álcool segue crescendo forte.

Isso confirma a tese de que o crescimento da Ambev hoje vem mais de valor agregado do que de expansão de mercado.


🏦 Geração de caixa absurda

Aqui está o verdadeiro motivo pelo qual muitos investidores mantêm ABEV3 na carteira:

  • Fluxo de caixa operacional: R$ 24,5 bilhões

  • Retorno aos acionistas em 2025: cerca de R$ 20 bilhões

Ou seja:

👉 A Ambev distribui praticamente tudo o que gera.

Isso reforça seu perfil clássico:

✔ Ação de dividendos
✔ Negócio defensivo
✔ Baixa volatilidade


📊 Análise de valuation — ABEV3 está barata?

Vamos ao ponto que interessa.

🔎 Situação atual do valuation

A Ambev negocia hoje aproximadamente em:

  • P/L: ~15–17x

  • EV/EBITDA: ~10–11x

  • Dividend Yield: ~5–6%

Para contexto histórico:

👉 A média histórica da empresa era P/L de 20–25x.

Ou seja:

📉 O múltiplo está comprimido há anos.


🧠 Por que o mercado descontou a ação?

Basicamente três motivos:

1️⃣ Queda estrutural de volume
2️⃣ Falta de crescimento relevante
3️⃣ Juros altos (que reduzem atratividade de dividendos)

Nada disso mudou radicalmente agora.


💡 O upside potencial

A Ambev não é mais uma ação de crescimento.

O potencial vem de três fatores:

1️⃣ Queda de juros no Brasil

Dividendos voltam a ser mais valorizados.

2️⃣ Expansão contínua de margens

Mesmo com volume estável.

3️⃣ Premiumização do portfólio

Aumentando ticket médio.


⚖️ Preço justo (visão conservadora)

Assumindo:

  • Crescimento de lucro: 3–5% ao ano

  • Dividend yield: ~6%

  • P/L justo: ~18x

O valor justo estimado ficaria aproximadamente:

👉 Entre R$ 16 e R$ 20 por ação

Ou seja:

  • Abaixo disso → ação barata

  • Próximo disso → preço justo

  • Muito acima → cara para perfil atual


🧾 Conclusão do investidor

O resultado confirmou o que já sabemos:

✔ A Ambev não é mais ação de crescimento
✔ É uma empresa extremamente eficiente
✔ Gera muito caixa e paga bons dividendos

O case hoje é simples:

👉 Não é ação para ficar rico rápido.
👉 É ação para receber renda com previsibilidade.

Se o investidor busca estabilidade, dividendos e baixo risco, a ABEV3 continua sendo um dos ativos mais sólidos da bolsa.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Estratégias de Alocação de Ativos: Como Montar um Portfólio Inteligente no Brasil

 A gestão de investimentos é muito mais do que escolher a “melhor ação do momento” ou o “fundo imobiliário da moda”. No longo prazo, o que realmente determina o sucesso de um investidor é a alocação de ativos — o processo de distribuir o patrimônio entre diferentes classes, como renda fixa, renda variável, fundos imobiliários, ativos internacionais e alternativos.

Estudos acadêmicos e a prática dos grandes investidores mostram que a decisão de como alocar os ativos tem impacto muito maior nos retornos ajustados ao risco do que a seleção específica de ativos. Essa visão surgiu de pesquisas pioneiras, como as de Harry Markowitz, pai da Teoria Moderna do Portfólio, e foi reforçada por gestores como Ray Dalio, Benjamin Graham, Warren Buffett e, no Brasil, por especialistas em finanças comportamentais e estratégias de previdência privada.

Neste artigo, vamos explorar as principais estratégias de alocação de ativos, discutir as teorias por trás delas e adaptá-las para a realidade brasileira.


O que é Alocação de Ativos?

Alocação de ativos é a estratégia de dividir os investimentos em diferentes classes para equilibrar risco e retorno. Em vez de tentar “adivinhar” o próximo ativo vencedor, o investidor define uma estrutura sólida que considera:

  • Horizonte de tempo (curto, médio e longo prazo);

  • Perfil de risco (conservador, moderado ou arrojado);

  • Objetivos financeiros (aposentadoria, compra de imóvel, renda passiva, sucessão).

No Brasil, onde a inflação é historicamente alta e a taxa de juros costuma oscilar bastante, a alocação de ativos ganha ainda mais relevância. É preciso equilibrar ativos de proteção (como Tesouro IPCA+ e fundos DI) com ativos de crescimento (ações, FIIs, ativos internacionais).


Teoria Moderna do Portfólio – Markowitz e o Conceito de Fronteira Eficiente

Harry Markowitz, em 1952, revolucionou o mundo das finanças ao propor que os investidores não deveriam analisar ativos isoladamente, mas sim o portfólio como um todo.


Seu trabalho originou a chamada Teoria Moderna do Portfólio (MPT), que introduziu conceitos fundamentais:

  • Diversificação: reduzir risco combinando ativos descorrelacionados.

  • Risco x Retorno: risco é mensurado pela volatilidade dos ativos.

  • Fronteira eficiente: conjunto de portfólios que maximizam retorno para cada nível de risco.

Exemplo prático no Brasil:

Um investidor que aplica apenas em ações da Petrobras e da Vale tem risco concentrado em commodities. Já aquele que combina ações de diferentes setores, FIIs, Tesouro IPCA+ e ativos no exterior tende a reduzir oscilações sem necessariamente abrir mão de retorno.


Estratégias Clássicas de Alocação de Ativos

1. Portfólio 60/40

Tradicional nos EUA, divide 60% em ações e 40% em renda fixa.

  • Adaptação no Brasil: pode funcionar em períodos de juros baixos, mas exige cautela em momentos de Selic alta. Muitos investidores brasileiros usam 40% em ações/FIIs e 60% em renda fixa (Tesouro Selic, CDBs, fundos de crédito privado).

2. Carteira Permanente (Harry Browne)

Composta por 25% em ações, 25% em títulos de longo prazo, 25% em ouro e 25% em caixa.

  • No Brasil: pode incluir Tesouro IPCA+ (proteção contra inflação), FIIs (imóveis) e até criptoativos como substituto parcial do ouro.

3. All Weather (Ray Dalio – Bridgewater Associates)

Estratégia para resistir a diferentes cenários econômicos (crescimento, recessão, inflação, deflação).

  • Adaptação no Brasil:

    • Renda variável (ações brasileiras e ETFs internacionais).

    • Renda fixa indexada à inflação (Tesouro IPCA+).

    • Ouro ou criptomoedas.

    • FIIs (exposição imobiliária).

Gráfico comparativo das três estratégias de alocação

4. Smart Beta e Fatores

Nos últimos anos, surgiram estratégias de alocação baseadas em fatores de risco (value, growth, dividendos, small caps).

  • No Brasil, ETFs como SMAL11 (small caps), DIVO11 (dividendos), WRLD11 (internacional) e BOVA11 (Ibovespa) permitem diversificação acessível.

  • Novos ETFs temáticos surgem frequentemente, como o GOAT11, composto 80% pelo IMA-B e 20% pelo S&P 500, que já traria uma diversificação entre renda fixa e variável em um único produto.

  • Também tem surgido muitos ETFs que pagam dividendos, vale a pena pesquisar caso você tenha interesse em receber renda todo mês.


Realidade Brasileira: Riscos e Oportunidades

O Brasil apresenta desafios únicos para o investidor:

  1. Taxa Selic: oscilações rápidas impactam fortemente a atratividade da renda fixa.

  2. Inflação volátil: ativos indexados ao IPCA são fundamentais.

  3. Câmbio: o real é historicamente instável, reforçando a importância de exposição internacional.

  4. Impostos: a tributação sobre fundos, FIIs e ações precisa ser considerada.

Por outro lado, o país oferece oportunidades raras em mercados emergentes, como juros reais elevados (prêmio de risco) e fundos imobiliários acessíveis, algo ainda em consolidação em outros países.


Como Montar uma Estratégia de Alocação no Brasil

Passo 1 – Defina seu Perfil

  • Conservador, moderado ou arrojado.

  • Avalie tolerância à volatilidade.

Passo 2 – Determine o Horizonte de Investimento

  • Curto prazo (1–3 anos): liquidez e segurança.

  • Médio prazo (3–10 anos): diversificação equilibrada.

  • Longo prazo (10+ anos): maior exposição à renda variável.

Passo 3 – Estruture sua Alocação

  • Renda fixa: Tesouro Direto, CDBs, debêntures.

  • Renda variável: ações, FIIs, ETFs.

  • Ativos internacionais: ETFs globais (IVVB11, URTH), BDRs, fundos globais.

  • Proteção: ouro, criptoativos (com cautela).

Passo 4 – Rebalanceamento

Revisar a carteira periodicamente (anual ou semestral) para voltar à alocação original. Exemplo: se ações subiram demais e passaram de 40% para 55% do portfólio, vender parte e realocar em renda fixa.


Exemplos de Portfólios Adaptados ao Brasil

Perfil Conservador

  • 70% Renda fixa (Tesouro Selic, CDBs, fundos DI).

  • 15% Tesouro IPCA+.

  • 10% FIIs.

  • 5% ativos internacionais.

Perfil Moderado

  • 40% Renda fixa.

  • 30% Renda variável (ações e ETFs).

  • 20% FIIs.

  • 10% ativos internacionais (ETFs, BDRs).

Perfil Arrojado

  • 20% Renda fixa.

  • 50% Ações e ETFs.

  • 20% FIIs.

  • 10% ativos internacionais e proteção (ouro/cripto).


Em gráfico de barras pra comparar.

Bibliografia e Pesquisas Relevantes

  • Markowitz, H. M. (1952). Portfolio Selection. The Journal of Finance.

  • Bodie, Z.; Kane, A.; Marcus, A. (2018). Investments. McGraw-Hill.

  • Dalio, R. (2017). Principles: Life and Work. Simon & Schuster.

  • Graham, B. (2006). O Investidor Inteligente. Harper Business.

  • Damodaran, A. (2012). Investment Valuation. Wiley.

  • Castro, F. (2020). Alocação de Ativos: Uma Abordagem para o Investidor Brasileiro.


Conclusão

A alocação de ativos é a espinha dorsal de qualquer estratégia de investimento de longo prazo. Mais do que escolher ativos “da moda”, o investidor brasileiro precisa adaptar teorias clássicas — como a de Markowitz e Dalio — ao cenário de juros altos, inflação volátil e câmbio instável.

Diversificação, disciplina e rebalanceamento são as chaves para um portfólio que resista às crises e permita ao investidor alcançar seus objetivos de forma sustentável.



terça-feira, 11 de novembro de 2025

Configurar Mikrotik para Navegação Segura? Tutorial para Bloquear Conteúdos Impróprios

 Olá!

Passo a passo para configurar o Mikrotik de forma que bloqueia acesso a sites pornográficos, pesquisas Google de xxx etc. 


Passo 1: Usar um DNS para bloqueio 

  1. Acesse o Mikrotik via WinBox ou WebFig.

  2. Vá em IP → DNS.

  3. Configure um ou mais servidores DNS filtrados, por exemplo:

Serviço

Endereços DNS

Observação

CleanBrowsing (Family Filter)

185.228.168.168 e 185.228.169.168

Bloqueia pornografia, proxy e VPN

OpenDNS Family Shield

208.67.222.123 e 208.67.220.123

Bloqueia conteúdo adulto

Quad9 (com filtro)

9.9.9.11 e 149.112.112.11

Bloqueia domínios maliciosos

  1. Marque as opções:

    • Allow Remote Requests


Passo 2: Forçar o Safesearch

# 1) adicionar entradas DNS estáticas (exemplo)


# Google SafeSearch (VIP usado pelo Google)

/ip dns static add name=www.google.com address=216.239.38.120 ttl=5m comment="Google SafeSearch"


# Outros TLDs do Google (pt, br, google.com.br etc) repita conforme necessário:

/ip dns static add name=www.google.com.br address=216.239.38.120 ttl=5m

/ip dns static add name=google.com address=216.239.38.120 ttl=5m


# YouTube restricted mode (exemplo de IPs usados por Google para restricted)

/ip dns static add name=www.youtube.com address=216.239.38.119 ttl=5m comment="YouTube Restricted Mode"

/ip dns static add name=youtube.com address=216.239.38.119 ttl=5m


# Bing SafeSearch (exemplo)

/ip dns static add name=www.bing.com address=204.79.197.220 ttl=5m comment="Bing Strict"


# DuckDuckGo SafeSearch (se disponível)

/ip dns static add name=duckduckgo.com address=23.21.150.121 ttl=5m comment="DuckDuckGo safe (exemplo)"


Passo 3: Forçar todos a usarem o DNS local

# redirecionar DNS UDP/TCP 53 para o DNS local do MikroTik

/ip firewall nat

add chain=dstnat protocol=udp dst-port=53 action=redirect to-ports=53 comment="Force DNS via router"

add chain=dstnat protocol=tcp dst-port=53 action=redirect to-ports=53 comment="Force DNS via router"


Pronto!

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

É possível estimar um “preço justo” para o Bitcoin?

Sim, é possível estimar um “preço justo” para o Bitcoin, mas com muito mais incerteza do que em ativos tradicionais como ações ou títulos.

No caso do Bitcoin, o valor não vem de fluxos de caixa, e sim de fundamentos econômicos e de escassez digital, que permitem usar alguns modelos quase-fundamentalistas. Vamos explorar as principais abordagens usadas por analistas e economistas:


🧮 1. Modelos baseados em escassez — Stock-to-Flow (S2F)

O modelo Stock-to-Flow (S2F), criado por PlanB, é o mais conhecido para tentar precificar o Bitcoin pela escassez programada.

  • Stock = total de Bitcoins em circulação.

  • Flow = novos Bitcoins minerados por ano.

O índice S2F = Stock / Flow mostra quantos anos seriam necessários para dobrar o estoque existente. Quanto maior o S2F, mais escasso é o ativo (como ouro e prata).

A relação proposta é:

Preço estimado a×(S2F)b


onde (a) e (b) são parâmetros ajustados a partir de dados históricos.

https://www.forbes.com/sites/stevenehrlich/2021/04/29/demystifying-bitcoins-remarkably-accurate-price-prediction-model-stock-to-flow/


📊 Exemplo prático:

  • Antes do halving de 2024, o S2F era cerca de 56.

  • Após o halving, caiu a emissão anual, e o S2F subiu para ≈112, similar ao ouro.

  • O modelo S2F sugeriria um preço “justo” teórico em torno de US$ 100 mil – 150 mil, dependendo do ajuste dos parâmetros.

👉 Limitações:

  • Ignora demanda, adoção, macroeconomia e ciclos de liquidez.

  • Funciona bem historicamente até 2021, mas falhou na previsão de 2022–2023.


⚙️ 2. Modelo de custo de produção (dificuldade e custo de energia)

Esse modelo estima o preço mínimo sustentável do Bitcoin com base no custo médio de mineração, que depende de:

  • Dificuldade da rede (hashrate)

  • Eficiência dos equipamentos (J/TH)

  • Custo da energia elétrica (US$/kWh)

Quando o preço do Bitcoin cai abaixo do custo médio de mineração, muitos mineradores desligam suas máquinas, reduzindo o hashrate e a dificuldade — o que estabiliza o preço.

🧾 Fórmula simplificada:

\text{Preço justo} \approx \text{Custo energia (US\$)} + \text{Margem média esperada (20–40%)}


https://insights.glassnode.com/investigating-the-production-cost-of-bitcoin/


📊 Hoje (novembro de 2025), o custo médio global de mineração está estimado entre US$ 35 mil e US$ 45 mil por BTC.
Isso sugere que preços muito abaixo disso tenderiam a ser insustentáveis no longo prazo.


🌍 3. Modelos de adoção em rede (Lei de Metcalfe)

Inspirado na lei de redes, esse modelo supõe que o valor do Bitcoin cresce com o quadrado do número de usuários:
[
\text{Valor} \propto N^2
]
onde (N) = número de endereços ativos únicos ou usuários.

É um modelo de demanda de rede — muito útil para ativos digitais.
Historicamente, ele explica boa parte do crescimento de 2010–2021, quando o número de usuários cresceu exponencialmente.

https://quantpedia.com/metcalfes-law-in-bitcoin/



🧩 4. Combinações híbridas (modelos modernos)

Pesquisadores combinam escassez + adoção + liquidez global (ex.: M2 global, taxas reais, etc.) para estimar um “valor fundamental” ajustado pela liquidez.

Esses modelos apontam que:

  • Escassez define o teto do preço (potencial de longo prazo);

  • Custo de mineração define o piso (suporte econômico);

  • Adoção e liquidez definem o preço de mercado no curto prazo.


📉 Resumo comparativo

Modelo Base conceitual Faixa atual (nov/2025) Pontos fortes Limitações
Stock-to-Flow Escassez (halvings) US$ 100–150 mil Simples, intuitivo Falha em crises de liquidez
Custo de produção Energia e dificuldade US$ 35–45 mil Dá um “piso realista” Varia conforme energia e tecnologia
Metcalfe / Rede Adoção e uso US$ 50–90 mil Reflete utilidade real Difícil medir usuários reais
Híbrido Combina os três US$ 60–110 mil Mais equilibrado Requer muitos dados e ajustes


Autor: ChatGPT

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Férias em Balneário Camboriú, dicas do que fazer com criança de 3 anos

Fomos viajar nas férias, final de outubro, em Balneário Camboriú. 
Pegamos um ótimo apartamento a beira mar no Airbnb, fora de temporada não custou tanto, vi que em fevereiro esse apartamento chega perto de 3 mil reais a diária, sendo que final de outubro pagamos isso por 10 dias. 

Ida e volta deu 1800km, mais de 26 horas dirigindo, fiz uma média de 18,7km por litro no Fiat Cronos, carro econômico demais. No geral as estradas estavam boas, na volta fiz esse caminho da imagem abaixo.

Caminho da volta
Na Ida passeamos por Canoas primeiro


Uma coisa que chama atenção ao chegar em BC são os prédios, toda praia está lotada de prédios muito altos, alguns são muito bonitos, BC provavelmente tem o metro quadrado mais caro do Brasil. O lado ruim é que a praia fica na sombra de tarde, no meu ponto de vista é bom, mas as mulheres que querem ficar deitadas torrando não gostam.

Prédios bonitos de ver a noite também



Na primeira semana o clima estava nublado e com vento, então não ficamos muito na praia, mas aproveitamos para fazer diversos passeios, com o passaporte da diversão.


A pequena gostou bastante do Aquário, passeio bem tranquilo dá pra fazer em uma hora, fomos num dia de semana e tinha duas excursões de crianças visitando, então pra tirar fotos sozinhos foi quase impossível, mas com paciência deu tudo certo.




Na aventura jurássica ela ficou com medo dos dinossauros, mas no geral é um ótimo passeio, também tem muitos brinquedos pras crianças, eu acho que ela gostou mais dessa parte.

A aventura pirata é um teatro, fomos juntos com uma turminha escolar e é bem tranquilo, não chegou a ficar com muito medo, mas não saiu do colo.
Passaporte 

Também fomos no passeio do barco pirata, este eu não recomendo, eu enjoei um pouco, acho que a filhota também enjoou logo pediu pra dormir, tinham algumas pessoas vomitando em sacolinhas, no geral não recomendo pra levar crianças pequenas.

Outra atração de Balneário Camboriú é Space Adventure, fomos de tardinha e não deu tempo de ver tudo, muitos itens e réplicas de foguetes da NASA, é melhor ir com tempo, tem muita informação para ler. Para criança analfabeta pouco se aproveita. 

Em todos os lugares, logo ao chegar, eles pedem pra tirar fotos e fazem montagens bem legais, infelizmente os preços são fora da realidade, 3 fotos por 100 reais e assim por diante, prefiro pedir pro chatgpt fazer uma montagem dessas de graça pra mim.

No geral BC tem muita atração, dessa vez não fomos na roda gigante e também não andamos de teleférico, que leva para outra praia, mas são atrações bem conhecidas.

Também a praia foi aumentada a faixa de Areia, tem muitas quadras de vôlei ou Beach tênis, estão revitalizando as calçadas e passeios, todos os dias tinha gente correndo ou andando de bicicleta por ali e sendo ao lado da rua acidentes são frequentes, na revitalização vão melhorar essa parte da calçada pra ficar mais seguro.

O mar tem ondas pequenas, tranquilo. Alguns dias a água do mar parecia mais suja, não sei porque.

A água de torneira não é boa pra beber, compre água mineral.

Boas viagens a todos!

Principais Cuidados Após se Aposentar: Equilíbrio Psicológico e Financeiro

A aposentadoria pelo movimento FIRE (Financial Independence, Retire Early) tem se tornado um objetivo para muitas pessoas que buscam mais liberdade e qualidade de vida. No entanto, alcançar a independência financeira e antecipar o fim da vida profissional não significa que todos os problemas estão resolvidos. Pelo contrário: essa fase traz novos desafios — especialmente no campo psicológico e financeiro.

Manter-se bem após a aposentadoria exige tanto cuidado quanto o processo de acumulação de patrimônio. Afinal, trata-se de um período que pode durar décadas e, sem o devido preparo, pode se transformar em uma fase de inseguranças.

Neste artigo, vamos explorar os principais cuidados que você deve ter ao se aposentar cedo, analisando tanto os aspectos emocionais quanto os financeiros.


1. A Nova Realidade do Aposentado FIRE

Aposentar-se antes dos 40 ou 50 anos, como muitos buscam com o FIRE, é diferente da aposentadoria tradicional. A pessoa ainda está em plena vitalidade, com energia para novos projetos, mas também enfrenta questões que muitas vezes são negligenciadas:

  • O tempo livre em excesso pode gerar tédio e sensação de inutilidade.

  • O isolamento social pode surgir, já que grande parte dos amigos e familiares ainda está em plena carreira profissional.

  • O medo de o dinheiro acabar se torna um fantasma constante, mesmo para quem acumulou um bom patrimônio.

Por isso, o FIRE deve ser visto não apenas como um projeto de finanças pessoais, mas como um projeto de vida.


2. Cuidados Psicológicos Após a Aposentadoria FIRE

2.1. Redefinição de Propósito

O trabalho é uma das principais fontes de identidade e propósito para muitas pessoas. Sem ele, é comum surgir a sensação de vazio. Após a aposentadoria FIRE, é fundamental redefinir um novo propósito de vida, que pode incluir:

  • Projetos pessoais (escrever, viajar, hobbies criativos).

  • Contribuição social (voluntariado, mentorias, causas comunitárias).

  • Empreendimentos paralelos (negócios menores que tragam realização sem pressão financeira).

2.2. Saúde Mental

O choque de transição pode gerar ansiedade ou até depressão. Estudos mostram que aposentados que não encontram uma rotina estruturada sofrem mais com sentimentos de isolamento. Por isso, é essencial:

  • Manter uma rotina diária (exercícios, hobbies, lazer).

  • Cultivar relações sociais (amizades, grupos de interesse).

  • Buscar apoio profissional, quando necessário, em psicólogos ou terapeutas.

2.3. Estímulo Cognitivo

Com mais tempo disponível, o risco de cair na inércia intelectual aumenta. Aposentados FIRE devem manter-se ativos mentalmente:

  • Ler diariamente.

  • Fazer cursos e aprender novas habilidades.

  • Jogar xadrez, sudoku ou outras atividades que desafiem o cérebro.


3. Cuidados Financeiros Após a Aposentadoria FIRE

Se a fase de acumulação exige disciplina, a fase de usufruto exige planejamento e prudência. Os principais pontos de atenção são:

3.1. Controle de Riscos

A aposentadoria precoce depende de uma estratégia sólida de alocação de ativos. É necessário diversificar para reduzir riscos:

  • Renda variável (ações, ETFs, fundos imobiliários) para crescimento.

  • Renda fixa (Tesouro IPCA+, CDBs, debêntures) para estabilidade.

  • Ativos descorrelacionados (ouro, fundos internacionais, REITs).

3.2. Estratégia de Retiradas

Um dos maiores riscos é retirar mais do que o portfólio pode sustentar. O conceito da regra dos 4% é um guia, mas deve ser adaptado à realidade brasileira, considerando inflação e impostos.

Boas práticas:

  • Retirar valores menores em anos ruins do mercado.

  • Reforçar a reserva de emergência com liquidez imediata.

  • Ajustar retiradas conforme mudanças de estilo de vida.

3.3. Planejamento Tributário

No Brasil, a tributação pode impactar fortemente os rendimentos. É importante estruturar:

  • Alocação entre ativos isentos (LCI, LCA, fundos de infraestrutura).

  • Aproveitamento de instrumentos com tributação regressiva.

  • Eventual diversificação internacional para reduzir riscos cambiais e tributários.

3.4. Blindagem Patrimonial

Após acumular patrimônio, é preciso protegê-lo:

  • Seguro de vida e de saúde para evitar impactos imprevistos.

  • Estruturação sucessória (testamento, holding familiar).

  • Evitar investimentos arriscados por pressão social ou modismos.


4. O Perigo do Consumo Descontrolado

Ao conquistar a liberdade financeira, algumas pessoas caem na armadilha do consumismo, acreditando que podem gastar sem limites. Esse comportamento pode corroer anos de disciplina em pouco tempo.

Boas práticas para evitar isso:

  • Estabelecer um orçamento mensal fixo, mesmo já aposentado.

  • Praticar consumo consciente, valorizando experiências mais que bens materiais.

  • Revisar periodicamente as metas e sonhos para manter o foco.


5. Exercícios de Planejamento Pessoal

Um bom exercício para quem já atingiu o FIRE é desenhar um mapa de vida:

  • Onde quero estar nos próximos 5, 10 e 20 anos?

  • O que quero aprender e realizar nesse período?

  • Qual legado desejo deixar?

Esse tipo de reflexão ajuda a alinhar os cuidados psicológicos e financeiros, dando mais clareza para o futuro.


6. Sugestão de Diversificação dos Investimentos

O contexto brasileiro é diferente do dos EUA, onde a estratégia FIRE nasceu. Aqui, a renda fixa (Tesouro IPCA+, CDBs, debêntures, FI-INFRA etc.) paga taxas muito mais atraentes e com segurança maior. Estudos de planejadores financeiros sugerem que um portfólio pós-aposentadoria no Brasil deve ter maior peso em renda fixa e menor exposição em renda variável, justamente para reduzir a volatilidade e dar previsibilidade nas retiradas.

Uma alocação mais adequada poderia ser algo como:

  • Renda Fixa: 55%

  • Renda Variável: 25%

  • Internacional: 10%

  • Ativos Descorrelacionados (ouro, fundos estruturados, cripto em pequena escala): 10%


📊 Isso reflete melhor o perfil de alguém que já atingiu o FIRE e precisa preservar patrimônio.


7. Conclusão

Atingir o FIRE é um feito extraordinário, mas representa apenas o início de uma nova jornada. Após se aposentar cedo, os maiores desafios não são apenas financeiros, mas também psicológicos.

Manter um propósito, cuidar da saúde mental e proteger o patrimônio são pilares fundamentais para transformar a independência financeira em uma vida plena e equilibrada.

Afinal, o verdadeiro objetivo do FIRE não é apenas parar de trabalhar, é conquistar a liberdade para viver de acordo com seus valores, sonhos e propósito.

Com equilíbrio entre cabeça e carteira, a aposentadoria antecipada pode se tornar não apenas um marco de independência, mas o início de uma das fases mais ricas e gratificantes da vida.



sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Efeitos da Queda da Taxa SELIC sobre os Investimentos

A taxa SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia – é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela influencia praticamente todas as taxas de juros do país, desde financiamentos e empréstimos até o rendimento de aplicações financeiras. Quando o Banco Central decide reduzir a SELIC, os impactos são sentidos em diversos setores da economia e nos investimentos.


1. O que significa a queda da SELIC?

Uma redução na taxa SELIC normalmente ocorre quando o Banco Central quer estimular a economia. Juros mais baixos tornam o crédito mais acessível, incentivando o consumo e o investimento produtivo. Por outro lado, os rendimentos de aplicações de renda fixa, especialmente aquelas indexadas à própria SELIC, tendem a cair.


2. Impactos na Renda Fixa

Investimentos como Tesouro SELIC, CDBs, LCIs/LCAs e fundos DI são diretamente afetados pela redução da taxa básica. Com juros menores, o retorno real desses investimentos (descontada a inflação) tende a diminuir.

Por exemplo, se a SELIC cair de 10,75% para 9,25% ao ano, o Tesouro SELIC acompanha essa redução, e o investidor que busca segurança e liquidez verá um rendimento menor.

Contudo, títulos prefixados e atrelados ao IPCA podem se valorizar com a expectativa de queda da taxa de juros futura, gerando ganhos de capital.


3. Benefícios para a Renda Variável

Quando a SELIC cai, ações e fundos imobiliários costumam ganhar destaque. Isso acontece porque os investidores buscam alternativas mais rentáveis diante da queda nos juros da renda fixa.

  • Ações (Bolsa de Valores): empresas tendem a se beneficiar do crédito mais barato e do aumento no consumo. Setores como varejo, construção civil e tecnologia costumam reagir positivamente.

  • Fundos Imobiliários (FIIs): tornam-se mais atrativos, pois distribuem rendimentos mensais e podem se valorizar com a recuperação do mercado imobiliário e o barateamento do financiamento.


4. Efeitos na Economia Real

A queda da SELIC também tem reflexos diretos na economia:

  • Consumo: aumenta, pois os financiamentos ficam mais baratos.

  • Empresas: reduzem custos com dívidas e podem expandir seus investimentos.

  • Câmbio: o real tende a desvalorizar, pois o diferencial de juros com outros países diminui, o que pode favorecer exportadores.


5. Estratégias do Investidor

Durante ciclos de queda da SELIC, o investidor pode:

  • Migrar gradualmente parte da carteira para renda variável, buscando maior potencial de retorno.

  • Aproveitar títulos prefixados ou Tesouro IPCA+, que ainda oferecem taxas atrativas e podem se valorizar com a queda dos juros.

  • Diversificar em ativos reais (fundos imobiliários, debêntures incentivadas, infraestrutura, etc.) para manter o poder de compra no longo prazo.


6. Considerações Finais

A queda da taxa SELIC é uma ferramenta poderosa de estímulo econômico, mas exige adaptação dos investidores. O importante é manter uma carteira diversificada, equilibrando segurança, rentabilidade e liquidez.

Em resumo, enquanto a renda fixa perde atratividade no curto prazo, oportunidades surgem na renda variável e em setores produtivos da economia.

📊 Gráficos Explicativos



Obs.: Este gráfico serve bem para exemplificar a ideia, mas tem alguns problemas, em 2015 o Ibovespa fez mínima, Brasil em crise, impeachment e tal. 2019/2020 crise do Covid fizeram a SELIC cair muito.


📊 À esquerda, a relação entre a taxa SELIC e o IBOVESPA de 2005 a 2015, mostrando como reduções nos juros frequentemente antecederam períodos de valorização na Bolsa. 
Obs.: Ibovespa teve uma forte queda em 2008 devido a crise do subprime.
📈 À direita, a comparação dos rendimentos médios de diferentes classes de ativos (renda fixa, ações e FIIs) em cenários de SELIC alta e baixa — evidenciando o ganho relativo da renda variável quando os juros caem.