quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Resultados do 4T25 e de 2025 da Ambev (ABEV3): crescimento de receita e margens, apesar de queda de volumes

 A Ambev divulgou seus números do 4T25 e do ano de 2025 e, sinceramente, não teve grandes surpresas. Foi aquele típico resultado de empresa madura de consumo: volumes pressionados, mas compensados por preço, mix e eficiência operacional.



📉 O problema continua sendo volume

O principal ponto negativo segue o mesmo dos últimos anos: queda de volume.

Em 2025, o volume total caiu 3,3%, e no 4T25 a retração foi de 3,6%. O motivo não foi perda estrutural de mercado, mas fatores cíclicos — clima ruim e menos ocasiões de consumo.

A própria companhia resumiu bem: não é que o consumidor deixou de gostar de cerveja — ele simplesmente consumiu menos vezes.

Isso mostra uma característica importante do case:

👉 Ambev hoje não é mais empresa de crescimento em volume.
👉 É uma empresa de captura de valor.


📈 A força do pricing power

Mesmo vendendo menos, a receita cresceu.

  • Receita líquida orgânica: +4,0% em 2025

  • Receita por hectolitro: +7,5%

Ou seja: a empresa conseguiu aumentar preço e mix.

Isso veio principalmente de:

  • Premiumização (Stella, Corona, etc.)

  • Cervejas sem álcool

  • Gestão eficiente de receita



Na prática, a Ambev está virando cada vez mais uma “máquina de margem”.


💰 Rentabilidade segue muito forte

O EBITDA ajustado cresceu 5,6% no ano e a margem chegou a 33,4%, marcando o terceiro ano seguido de expansão.

Esse é o principal ponto do case:

👉 Mesmo sem crescimento de volume, a empresa continua aumentando rentabilidade.

Já o lucro líquido ajustado cresceu apenas 1,6%, impactado por despesas financeiras e câmbio.

Nada preocupante — apenas efeito macro.


🇧🇷 Brasil continua sendo o motor

No mercado brasileiro:

  • Volume caiu ~4%

  • Receita por hectolitro subiu ~5%

  • EBITDA cresceu cerca de 4% no ano

Destaque importante:

📊 Segmentos premium cresceram dois dígitos.
📊 Cerveja sem álcool segue crescendo forte.

Isso confirma a tese de que o crescimento da Ambev hoje vem mais de valor agregado do que de expansão de mercado.


🏦 Geração de caixa absurda

Aqui está o verdadeiro motivo pelo qual muitos investidores mantêm ABEV3 na carteira:

  • Fluxo de caixa operacional: R$ 24,5 bilhões

  • Retorno aos acionistas em 2025: cerca de R$ 20 bilhões

Ou seja:

👉 A Ambev distribui praticamente tudo o que gera.

Isso reforça seu perfil clássico:

✔ Ação de dividendos
✔ Negócio defensivo
✔ Baixa volatilidade


📊 Análise de valuation — ABEV3 está barata?

Vamos ao ponto que interessa.

🔎 Situação atual do valuation

A Ambev negocia hoje aproximadamente em:

  • P/L: ~15–17x

  • EV/EBITDA: ~10–11x

  • Dividend Yield: ~5–6%

Para contexto histórico:

👉 A média histórica da empresa era P/L de 20–25x.

Ou seja:

📉 O múltiplo está comprimido há anos.


🧠 Por que o mercado descontou a ação?

Basicamente três motivos:

1️⃣ Queda estrutural de volume
2️⃣ Falta de crescimento relevante
3️⃣ Juros altos (que reduzem atratividade de dividendos)

Nada disso mudou radicalmente agora.


💡 O upside potencial

A Ambev não é mais uma ação de crescimento.

O potencial vem de três fatores:

1️⃣ Queda de juros no Brasil

Dividendos voltam a ser mais valorizados.

2️⃣ Expansão contínua de margens

Mesmo com volume estável.

3️⃣ Premiumização do portfólio

Aumentando ticket médio.


⚖️ Preço justo (visão conservadora)

Assumindo:

  • Crescimento de lucro: 3–5% ao ano

  • Dividend yield: ~6%

  • P/L justo: ~18x

O valor justo estimado ficaria aproximadamente:

👉 Entre R$ 16 e R$ 20 por ação

Ou seja:

  • Abaixo disso → ação barata

  • Próximo disso → preço justo

  • Muito acima → cara para perfil atual


🧾 Conclusão do investidor

O resultado confirmou o que já sabemos:

✔ A Ambev não é mais ação de crescimento
✔ É uma empresa extremamente eficiente
✔ Gera muito caixa e paga bons dividendos

O case hoje é simples:

👉 Não é ação para ficar rico rápido.
👉 É ação para receber renda com previsibilidade.

Se o investidor busca estabilidade, dividendos e baixo risco, a ABEV3 continua sendo um dos ativos mais sólidos da bolsa.